CONTROLE LITOESTRUTURAL NO RELEVO DA SERRA DA FORMIGA, REGIÃO SEMIÁRIDA DO SERIDÓ POTIGUAR

Autores

  • Vanderli Alves dos Santos Mestrando em Geografia (GEOCERES/UFRN)
  • Daví do Vale Lopes (Professor do Departamento de Geografia/CERES da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN)
  • José Yure Gomes dos Santos (Professor do Departamento de Geografia/CERES da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN)
  • Anailson Carlos de Medeiros Mestrando em Geografia (GEOCERES/UFRN)
  • João Rafael Vieira Dias Mestrando em Geografia (GEOCERES/UFRN)

DOI:

https://doi.org/10.48025/ISSN2675-6900.v7n3.2026.464

Palavras-chave:

Geomorfologia estrutural, Lineamentos, Rede de drenagem, Altos topográficos

Resumo

Os ambientes serranos do semiárido configuram paisagens de exceção, com clima, solos, vegetação e formas de relevo que contrastam fortemente com as superfícies sertanejas rebaixadas. Apesar de sua relevância, essas áreas ainda carecem de investigações geomorfológicas mais detalhadas. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar o controle litoestrutural sobre o relevo da Serra da Formiga, situada no semiárido do Seridó potiguar. A abordagem metodológica baseou-se na utilização de Modelos Digitais de Elevação (MDE) e ferramentas de geoprocessamento para o mapeamento da geologia, declividade, densidade de drenagem e lineamentos morfoestruturais. O arcabouço geológico é dominado por rochas paleoproterozoicas do Complexo Caicó, com predomínio de biotita ortognaisses (35%) e gnaisses bandados (29,76%), além de unidades neoproterozoicas do Grupo Seridó. A análise de 140 lineamentos evidenciou a predominância do sistema NW–SE (56%), seguido por direções N–S a NNE–SSW (25,7%), indicando forte controle estrutural associado a zonas de cisalhamento e fraturas regionais. A rede hidrográfica, composta por 169 segmentos, apresenta ajuste morfoestrutural bem definido, com orientação preferencial N–S (17,8% no intervalo 0°–15°) e densidade de drenagem de até 2,62 km/km², refletindo a atuação de zonas de fraqueza tectônica na organização dos canais. O relevo é predominantemente ondulado (31,83%) a forte ondulado (27,97%), sendo sua compartimentação condicionada pela resistência diferencial das litologias. Os ortognaisses sustentam cristas mais elevadas, enquanto litologias menos competentes e zonas fraturadas favorecem o entalhamento de vales e a denudação. A correspondência espacial entre áreas de maior declividade e lineamentos estruturais NE–SW e N–S reforça o papel do controle tectônico. Conclui-se que a Serra da Formiga constitui um relevo estrutural, cuja organização espacial é fortemente condicionada pela herança tectônica proterozoica, evidenciando a importância do controle litoestrutural na evolução das paisagens serranas do semiárido.

Referências

ARCHANJO, R. E. D. S., SERAFIM, P. C., SANTOS, B. C. D., BOURSCHEIDT, V., MOREIRA, R. M., FERNANDES, N. F., ... & RUBIRA, F. G. Morphostructural Controls Reflected in Drainage Patterns. Hydrology, v. 12, n. 12, p. 314, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.3390/hydrology12120314. Acesso em: 26 mar. 2026.

ATTAL, M., COWIE, P. A., WHITTAKER, A. C., HOBLEY, D., TUCKER, G. E., & ROBERTS, G. P. Testing fluvial erosion models using the transient response of bedrock rivers to tectonic forcing in the Apennines, Italy. Journal of Geophysical Research: Earth Surface, 116(F2) 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1029/2010JF001875. Acesso em: 26 mar. 2026.

AWOYEMI, M. O., ONYEDIM, G. C., ARUBAYI, J. B., & ARIYIBI, E. A. Influence of lithology and geological structures on drainage patterns in part of the basement complex terrain of southwestern Nigeria. Ife Journal of Science, v. 7, n. 2, p. 291-296, 2005. Disponível em: Acesso em: 26 mar. 2026.

BASTOS, F. D.; MAIA, R. P.; CORDEIRO, A. M. Geografia –Geomorfologia. Fortaleza: Eduece, 2019.138p. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/432890/2/Livro%20Geografia%20-%20Geomorfologia.pdf. Acesso em: 24 mar. 2026.

BEZERRA, F. H., MARQUES, F. O., VASCONCELOS, D. L., ROSSETTI, D. F., TAVARES, A. C., MAIA, R. P., ... & MEDEIROS, W. E. Review of tectonic inversion of sedimentary basins in NE and N Brazil: Analysis of mechanisms, timing and effects on structures and relief. Journal of South American Earth Sciences, v. 126, p. 104356, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jsames.2023.104356. Acesso em: 26 mar. 2026.

BRICALLI, L. L., & MELLO, C. L. PADRÕES DE LINEAMENTOS RELACIONADOS A LITOESTRUTURA E FRATURAMENTO NEOTECTÔNICO (ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, -SE DO BRASIL). Revista Brasileira de Geomorfologia, [S. l.], v. 14, n. 3, 2014. DOI: 10.20502/rbg.v14i3.405. Disponível em: https://doi.org/10.20502/rbg.v14i3.405. Acesso em: 26 mar. 2026.

BROCARD, G. Y., WILLENBRING, J. K., MILLER, T. E., & SCATENA, F. N. Relict landscape resistance to dissection by upstream migrating knickpoints. Journal of Geophysical Research: Earth Surface, v. 121, n. 6, p. 1182-1203, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1002/2015JF003678. Acesso em: 26 mar. 2026.

BRUNSDEN, D., & Thornes, J. B. Landscape sensitivity and change. Transactions of the Institute of British Geographers, p. 463-484, 1979. Disponível em: https://doi.org/10.2307/622210. Acesso em: 26 mar. 2026.

CASSETI, V. Geomorfologia.[sl]:[2005]. Acesso em, v. 10, 2013. Disponível em: https://docs.ufpr.br/~santos/Geomorfologia_Geologia/Geomorfologia_ValterCasseti.pdf. Acesso em: 25 mar. 2026.

COSTA, A. P.; CAVALCANTE, R.; DANTAS, A. R.; CUNHA, A. C.; LIMA, R. B.; SPISILA, A. L. Mapa geológico integrado (2019) e Mapa de recursos minerais integrado, estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. Recife: CPRM, 2021. Escala 1:350.000 Disponível em https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/19398. Acesso em: 25 mar. 2026.

COSTA, L. R. F. D, MAIA, R. P., BARRETO, L. L., & CLAUDINO SALES, V. C. DE. GEOMORFOLOGIA DO NORDESTE SETENTRIONAL BRASILEIRO: UMA PROPOSTA DE CLASSIFICAÇÃO. Revista Brasileira de Geomorfologia, [S. l.], v. 21, n. 1, 2020. DOI: 10.20502/rbg.v21i1.1447. Disponível em: https://doi.org/10.20502/rbg.v21i1.1447. Acesso em: 24 mar. 2026.

DINIZ, M. T. M., & DE OLIVEIRA, G. P. Compartimentação e Caracterização Geoambiental do Seridó Potiguar. Brazilian Geographical Journal: geosciences and humanities research medium, v. 6, n. 1, p. 291-318, 2015. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/braziliangeojournal/article/view/28895. Acesso em: 24 mar. 2026.

ELENI, K., ASSIMINA, A., & EVANGELOS, K. Morphotectonic analysis, structural evolution/pattern of a contractional ridge: Giouchtas Mt., Central Crete, Greece. Journal of Earth System Science, v. 124, n. 3, p. 587-602, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s12040-015-0551-3. Acesso em: 26 mar. 2026.

GAO, H., LIU, F., YAN, T., QIN, L., & LI, Z. Drainage density and its controlling factors on the eastern margin of the Qinghai–Tibet Plateau. Frontiers in Earth Science, v. 9, p. 755197, 2022. Disponível em: Acesso em: 26 mar. 2026.

GIANO, S. I. Fluvial geomorphology and river management. Water, v. 13, n. 11, p. 1608, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.3390/w13111608. Acesso em: 26 mar. 2026.

GONTIJO, A.H.F. Morfotectônica do Médio Vale do Rio Paraíba do Sul: Região da Serra da Bocaina, Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Rio Claro (SP). 259 p. (Tese de Doutoramento, Instituto de Geociências e Ciências Exatas – UNESP), 1999. Acesso em: 26 mar. 2026.

HIRUMA, S.T. 2007. Significado morfotectônico dos planaltos isolados da Bocaina. 205p. Tese (Doutorado em Geologia) – Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, 2007. Acesso em: 26 mar. 2026.

HIRUMA,S.T & RICCOMINI. Análise Morfométrica em Neotectônica: o exemplo do Planalto de Campos do Jordão, SP. Revista do Instituto Geológico, IG São Paulo, 20 (1/2): 5-19, 1999. . Disponível em: https://doi.org/10.5935/0100-929X.19990001. Acesso em: 26 mar. 2026.

HIRUMA, S. T., RICCOMINI, C., & MODENESI-GAUTTIERI, M. C. Neotectônica no planalto de Campos do Jordão, SP. Revista Brasileira de Geociências, v. 31, n. 3, p. 375-384, 2001. Acesso em: 26 mar. 2026.

HIRUMA, S. T & PONÇANO, W.L. Densidade de drenagem e sua relação com fatores geomorfopedológicos na área do alto rio Pardo, SP e MG. Revista do instituto geológico, v. 15 n. 1-2 (1994). Disponível em: https://doi.org/10.5935/0100-929X.19940005. Acesso em: 26 mar. 2026.

HILÁRIO, D. S.; LOPES, D. V.; LIRA, D. I.; CORDEIRO, A. M. N.; XIMENES NETO, A. R.; Caracterização e mapeamento geomorfológico da sub-bacia do rio Seridó, no semiárido brasileiro. Revista Geografias, [S. l.], v. 20, n. 1, p. 60–79, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.35699/2237-549X.2024.50814. Acesso em: 26 mar. 2026.

HORTON, R. E. Erosional development of streams and their drainage basins; hydrophysical approach to quantitative morphology. Geological society of America bulletin, v. 56, n. 3, p. 275-370, 1945. Disponível em: https://doi.org/10.1130/0016-7606(1945)56[275:EDOSAT]2.0.CO;2. Acesso em: 26 mar. 2026.

HOWARD, A. D. Drainage analysis in geologic interpretation: a summation. AAPG bulletin, v. 51, n. 11, p. 2246-2259, 1967. Disponível em: Acesso em: 26 mar. 2026.

JORDAN, G.; SCHOTT, B. Application of wavelet analysis to the study of spatial pattern of morphotectonic lineaments in digital terrain models. A case of study. Remote Sensing of Environment, 94. p. 31-38, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.rse.2004.08.013. Acesso em: 26 mar. 2026.

LEOPOLD, L. B. Fluvial processes in geomorphology. Courier Dover Publications, 2020.

LIMA, V. F., FURRIER, M., DA SILVA, R. M., & SANTOS, C. A. G. Morphostructural influence and neotectonic activity in the geomorphological configuration of southeast Paraíba and northeast Pernambuco, Brazil. Heliyon, v. 10, n. 9, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2024.e30111. Acesso em: 26 mar. 2026.

LIU, F., YAO, X., & LI, L. Applicability of geomorphic index for the potential slope instability in the three river region, eastern tibetan plateau. Sensors, v. 21, n. 19, p. 6505, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.3390/s21196505. Acesso em: 26 mar. 2026.

Downloads

Publicado

2026-06-22

Como Citar

Alves dos Santos, V., do Vale Lopes, D., Gomes dos Santos, J. Y., de Medeiros, A. C., & Vieira Dias, J. R. (2026). CONTROLE LITOESTRUTURAL NO RELEVO DA SERRA DA FORMIGA, REGIÃO SEMIÁRIDA DO SERIDÓ POTIGUAR. William Morris Davis - Revista De Geomorfologia, 7(3), 72–92. https://doi.org/10.48025/ISSN2675-6900.v7n3.2026.464